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Ácido Fítico nos frutos secos e sementes… e agora?

por Débora 29 Novembro, 2016

Se já ouviste falar em ácido fítico, é provável que tenha sido associado à expressão “anti-nutriente”.

O ácido fítico (também conhecido como “fitatos”, “IP6” ou “inositol”), tem sido olhado com alguma relutância por muitos, uma vez que diminui a biodisponibilidade (ou a capacidade de absorção) de alguns minerais.1

E onde se encontra o ácido fítico? Nas leguminosas, sementes, frutos secos e cereais integrais.2

“Antes de erradicares o ácido fítico da tua vida, vamos confirmar o que a evidência cientifica diz…”

Conclusão, vamos evitar estes “super-alimentos”?  NÃO, CLARO QUE NÃO!

O que é aconselhado por muitos é adoptar estratégias (demolhar/germinar/cozinhar/fermentar…) para diminuir a concentração do ácido fítico nestes alimentos.345 Ok, é comum que as leguminosas e alguns cereais passem por algum destes processos. Mas tenho de o fazer também para os frutos secos, sementes e cereais como a aveia, ou a cevada? Se o objectivo é diminuir ao máximo a ingestão de ácido fítico, sim…

Mas espera! Antes de erradicares o ácido fítico da tua vida, vamos confirmar o que a evidência cientifica diz sobre ele.

Ácido Fítico como “anti-nutriente”

Em primeiro lugar é importante perceber que para avaliar a absorção mineral dos alimentos ricos em fitatos, todos os componentes do regime alimentar e as suas interacções devem ser consideradas. O que torna difícil prever, com rigor, a biodisponibilidade dos minerais nestes alimentos, “olhando” apenas para a quantidade de fitatos.6

A ingestão de uma grande quantidade de fitatos, através deste grupo de alimentos que os contêm, leva realmente à diminuição da percentagem de absorção de minerais, mas a quantidade de minerais contidos nestes alimentos é tão grande, que a quantidade total de minerais absorvidos pode nem sofrer nenhuma diminuição. E ainda tens as bactérias presentes na flora intestinal. Elas ajudam a metabolizar o excesso de ácido fítico (desde que não tomes antibióticos…).7

Além disso, os benefícios dos fitatos ultrapassam (e muito!) os seus potenciais efeitos “antinutritivos”.

Em última instância, este efeito negativo dos fitatos significa apenas que precisas ingerir mais alimentos vegetais integrais – que, com sabes, são os mais saudáveis. Podes sempre apostar também nos alimentos da família Allium (cebola, alho, chalota, alho-francês, …) que além dos muitos benefícios que têm, são “intensificadores” da absorção mineral – em particular de ferro e zinco.8

“Os benefícios dos fitatos ultrapassam (e muito!) os seus potenciais efeitos “antinutritivos”.”

Apesar destes “perigos” em relação aos minerais (como cálcio), a verdade é que se tem verificado que quem consome mais alimentos ricos em fitatos tem ossos mais fortes. Tem sido revelada a capacidade dos fitatos inibirem a reabsorção óssea, similar ao efeito dos medicamentos para a osteoporose, o que leva à conclusão de que, por um lado, o consumo de alimentos com fitatos tem um efeito protector face à osteoporose, e por outro, o seu baixo consumo deveria ser considerado um factor de risco para a osteoporose.910

O Verdadeiro “anti” – anti-inflamatório, anti-oxidante, anti-cancerígeno

O ácido fítico presente nos alimentos é rapidamente absorvido pelas células cancerígenas e inibe o seu crescimento. Este efeito inibitório já foi demonstrado, na prática, em diferentes tipos de células cancerígenas (leucemia, melanoma, cancro do cólon, mama, colo do útero, próstata, fígado, pâncreas), sem interferir com as células normais.11

Mas não é tudo!

Para um cancro se “estabelecer” passa por outros processos além da proliferação celular (crescimento): invasão dos tecidos envolventes e migração para outros locais (metástases).

“O ácido fítico atinge o cancro… e não interfere com o funcionamento das restantes células.”

Um dos pontos críticos é a invasão nos tecidos envolventes, que é possível graças a um conjunto de enzimas (metaloproteinase matriz) utilizadas pelas células cancerígenas. É aqui que o ácido fítico ganha particular importância, uma vez que começa logo por ajudar a bloquear a capacidade das células cancerígenas produzirem esta enzima e assim limita a invasão tumoral.1213

Além disso, ainda actua sobre o sistema imunitário, aumentando a actividade das células responsáveis por criar a primeira linha de defesa do nosso corpo e de caçar e eliminar as células cancerígenas (neutrófilos e células NK). Como se já não bastasse, e para comprovar a sua eficácia, o ácido fítico ainda interrompe os vasos sanguíneos já formados para alimentar as células cancerígenas e bloqueia a formação de novos vasos (angiogénese). “Só para ter a certeza, vamos matá-las à fome”.141516

O ácido fítico atinge o cancro (nas principais vias de progressão), graças às suas capacidades anti-oxidantes, anti-inflamatórias e imunológicas (desintoxicação, diferenciação e anti-angiogénese), e não interfere com o funcionamento das restantes células.17 Afectar apenas as células “alteradas” e não interferir com as células normais é o melhor que se poderia querer de um agente anticancerígeno, que pode ser “utilizado” em qualquer fase da progressão do cancro. 

“Com tantos benefícios, queres mesmo retirar o ácido fítico da tua alimentação?”

Só mais uns pormenores…

Além de todos estes benefícios de que falámos, foi relatado que o ácido fítico também previne a calcificação e formação de pedras nos rins18 diminui o risco de diabetes, cáries, aterosclerose e doença coronária.19

O ácido fítico tem diversas características importantes, mas continua a existir o dogma em relação ao seu papel “anti-nutritivo”. Com tantos benefícios para a saúde, queres mesmo retirar o ácido fítico da tua alimentação?

És tu que decides…


  1. Zhou J. and Erdman JW. Phytic acid in health and disease. Critical Reviews In Food Science And Nutrition 1995 Vol. 35 , Iss. 6↩

  2. Urbano G, López-Jurado M, Aranda P, Vidal-Valverde C, Tenorio E, Porres J. The role of phytic acid in legumes: antinutrient or beneficial function? J Physiol Biochem. 2000 Sep;56(3):283-94 ↩

  3. Urbano G, López-Jurado M, Aranda P, Vidal-Valverde C, Tenorio E, Porres J. The role of phytic acid in legumes: antinutrient or beneficial function? J Physiol Biochem. 2000 Sep;56(3):283-94 ↩

  4. Reddy, NR. Pierson, MD. Reduction in antinutritional and toxic components in plant foods by fermentation. Food Research International, Volume 27, Issue 3, 1994, Pages 281-290 ↩

  5. Egli, I., Davidsson, L., Juillerat, M.A., Barclay, D. and Hurrell, R.F. The Influence of Soaking and Germination on the Phytase Activity and Phytic Acid Content of Grains and Seeds Potentially Useful for Complementary Feedin. Journal of Food Science, 2002 67: 3484–3488↩

  6. Lopez H, Leenhardt F, et al. Minerals and phytic acid interactions: is it a real problem for human nutrition? International Journal of Food Science & Technology (2002) 37: 727–739↩

  7. R. Greiner, U. Konietzny, K. D. Jany. Phytate – an undesirable constituent of plant-based foods? Journal fur Ernahrungsmedizin 2006 8(3):18 – 28 ↩

  8. Gautam, S. Platel, K. and Srinivasan, K. Higher Bioaccessibility of Iron and Zinc from Food Grains in the Presence of Garlic and Onion. Journal of Agricultural and Food Chemistry 2010 58 (14)↩

  9. López-González A, Grases F, Roca P, Mari B, Vicente-Herrero MT, Costa-Bauzá A. Phytate (myo-inositol hexaphosphate) and risk factors for osteoporosis. J Med Food. 2008 Dec;11(4):747-52 ↩

  10. López-González A, Grases F, Monroy N, Marí B, Vicente-Herrero MT, Tur F, Perelló J. Protective effect of myo-inositol hexaphosphate (phytate) on bone mass loss in postmenopausal women.Eur J Nutr. 2013 Mar;52(2):717-26 ↩

  11. G. L. Deliliers, F. Servida, N. S. Fracchiolla, C. Ricci, C. Borsotti, G. Colombo, D. Soligo. Effect of inositol hexaphosphate (IP6) on human normal and leukaemic haematopoietic cells. British journal of haematology 2002 117(3):577 – 587 ↩

  12. Vucenik I, Shamsuddin AM. Cancer inhibition by inositol hexaphosphate (IP6) and inositol: from laboratory to clinic. J Nutr. 2003 Nov;133(11 Suppl 1):3778S-3784S.↩

  13. I. Vucenik, A. M. Shamsuddin. Protection against cancer by dietary IP6 and inositol. Nutr Cancer 2006 55(2):109 – 125 ↩

  14. Vucenik, I. Passaniti, A. Vitolo, MI. Tantivejkul, K. Eggleton, P. and Shamsuddin, M. Anti-angiogenic activity of inositol hexaphosphate (IP6). Carcinogenesis (2004) 25 (11): 2115-2123↩

  15. Shamsuddin, AM. Vucenik, I. Cole, CE. IP6: A novel anti-cancer agent. Life Sciences, Volume 61, Issue 4, 1997, 343-354↩

  16. Shamsuddin, A. M. Anti-cancer function of phytic acid. International Journal of Food Science & Technology, 2002 37: 769–782↩

  17. Tantivejkul K, Vucenik I, Shamsuddin AM. Inositol hexaphosphate (IP6) inhibits key events of cancer metastasis: II. Effects on integrins and focal adhesions. Anticancer Res. 2003 Sep-Oct;23(5A):3681-9↩

  18. Grases, Felix, Antonia Costa-Bauza, and Rafel M Prieto. “Renal Lithiasis and Nutrition.” Nutrition Journal 5 (2006): 23↩

  19. R. Greiner, U. Konietzny, K. D. Jany. Phytate – an undesirable constituent of plant-based foods? Journal fur Ernahrungsmedizin 2006 8(3):18 – 28↩

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G-BOMBS: Os Alimentos mais Saudáveis

por Débora 7 Abril, 2016

O acrónimo G-BOMBS (em inglês) foi criado pelo Dr. Joel Fuhrman para lembrar os grupos de  alimentos com maiores benefícios para a tua saúde. São o tipo de alimentos que deves comer todos os dias.

“G-BOMBS grupos de alimentos com maiores benefícios para a tua saúde.”

G-Greens (Verduras)

Principalmente as que pertencem à família Crucífera, protegem os vasos sanguíneos e reduzem o risco de Diabetes. Apresentam ainda comprovados benefícios no controlo e perda de peso mesmo quando consumidos em grandes quantidades, já que são alimentos com muito baixa densidade calórica.
Além disso, são os alimentos com maior densidade nutricional (quantidade nutrientes por caloria).

B-Beans (Leguminosas)

Incluem lentilha, grão-de-bico, feijão, ervilha, entre outros. Além de outras vantagens, o consumo de leguminosas permite um melhor controlo da glicémia (níveis de açúcar no sangue), prevenção e controlo da Diabetes e diminuição do colesterol. Ajudam-te a sentir mais saciado e a diminuir o apetite.
É a fonte de hidratos de carbono com maior densidade nutricional.

O-Onions (Cebolas)

A cebola, juntamente com alho-francês, alho, cebolinho e chalotas formam a família vegetal Allium.
Podem fazer-te chorar, mas são óptimos para os sistemas cardiovascular e imunitário, na prevenção e controlo da Diabetes e ainda têm propriedades protectoras contra diversos tipos de cancro.

M-Mushrooms (Cogumelos)

mushroom

Branco, portobello, pleurotus, shiitake, maitake, reishi, castanho, todos têm propriedades protectoras contra o cancro. Alguns são anti-inflamatórios, estimulam o sistema imunitário, previnem danos no ADN  e diminuem o crescimento das células cancerígenas.
Mas atenção! Por precaução comer só depois cozinhados. Cozinhar os cogumelos reduz significativamente a quantidade de agaritina (substância que pode ser tóxica) encontrada em alguns cogumelos comestíveis.
Não precisamos mencionar os venenosos como cogumelos a “evitar”, certo?

B-Berries (Frutos Vermelhos)

Mirtilos, morangos e amoras são os “super” melhores. Naturalmente doces e sumarentos, os frutos vermelhos são alimentos com elevado poder anti-oxidante, têm baixos níveis de açúcar e elevados níveis de nutrientes – são mesmo dos melhores alimentos que podes comer.
Diminuem o risco de diabetes, hipertensão, cancro e ainda são excelentes para o cérebro.

S-Seeds (Sementes e Oleaginosas)

As sementes e as oleaginosas têm benefícios cardiovasculares, ajudam na prevenção da diabetes e (quem diria?!) na manutenção e controlo do peso.
O conteúdo nutricional das sementes e dos frutos secos é similar em relação a gordura saudável, macrominerais e antioxidantes, enquanto que as sementes são abundantes em microminerais, têm mais proteína e cada tipo de semente é nutricionalmente única.

G-BOMBS: Greens, Beans, Onions, Mushrooms, Berries, and Seeds | Dr.Fuhrman

Tiago Tavares

Sou Enfermeiro, pertenço ao Corpo de Bombeiros de Paço de Arcos e o meu lema é “se queres fazer algo, fá-lo agora”. Para mim a melhor maneira de mudar para um estilo de vida saudável é simplesmente fazê-lo: sem desculpas, sem adiamentos. Uma aventura começa sempre com o primeiro passo.

A melhor forma de começar o dia é com uma corrida à beira-mar. Sou um apaixonado por escutismo e nunca digo que não a uma aventura. Sou bom cozinheiro, mas só para mim. Gosto muito de “inventar” na cozinha, fugindo às receitas, mas sempre mantendo o equilíbrio e com um olhinho para o que é saudável.

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